sábado, 22 de março de 2008

Sporting 0 - Setúbal 0 INTERVALO

O resultado ao intervalo não espanta ninguém. Não existiu uma única oportunidade clara de golo, não houve um domínio claro de nenhuma das equipas, nem nenhum destaque individual.
O zero-zero da primeira parte deve-se sobretudo: (1) à incapacidade do Sporting em contornar a organização defensiva do Setúbal; (2) à excessiva dependência de Pitbull por parte do Setúbal.

(1) o Setúbal dispôs a sua linha defensiva muito junto da sua grande àrea, no entanto, à excepção de Sandro, os restantes elementos do meio campo jogavam mais à frente, lado a lado (Chaves sobre a esquerda, Elias sobre a direita), procurando a recuperação da bola e o encurtamento de espaços o mais cedo possível. A solução encontrada pelo Sporting passou pela colocação da bola o mais rápido possível em Vukcevic e Liedson, em zonas fora do raio de acção de Sandro e nas costas de Chaves e de Elias. No entanto, a qualidade desses passes não foi a melhor e a ajuda de Romagnoli foi insuficiente, até porque os laterais do Sporting não se envolveram no ataque, algo incomportável num sistema táctico como o do Sporting, que não contempla extremos.

(2) a verticalidade de Pitbull e a sua capacidade de, praticamente sozinho, trazer a bola para o ataque fizeram com que fosse solicitado pelos seus colegas de forma quase exclusiva nas responsabilidades ofensivas. Apenas quando Bruno Gama abandonou a ala direita e assumiu-se como 10 é que o setúbal passou a ocupar com mais frequência as zonas do campo mais próximas da àrea de Patrício e de forma mais prolongada, o que não acontecia antes, quando Pitbull se encontrava muito desamparado na frente. Para isso também contribuiu a crescente subida no terreno do meio campo sadino.

A primeira parte foi muito equilibrada, veremos o que acontece na segunda. A mobilidade do trio atacante do setúbal e a consequente capacidade de alterar o esquema táctico (como aconteceu quando Gama veio, de forma mais assumida, para a posição 10) parece-me a grande arma de Carvalhal. Do lado de Paulo Bento, existe a necessidade de incentivar as subidas dos laterais e talvez a colocação de Moutinho a interior esquerdo (e não na direita, como tem estado a jogar), tentanto aproveitar a recente boa forma deste nessa posição, nomeadamente com os 2 golos que fez, fruto das diagonais a partir da meia-esquerda.

Daqui a 45 minutos cá estarei para comentar o que, de facto, venha a acontecer.

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